A Chapecoense e os chapecoenses

No início deste ano, estive em Chapecó, num trabalho de pesquisa qualitativa que incluía diversas cidades de Santa Catarina. Não fosse por isso talvez eu nunca viesse a conhecer esse lugar tão longe da minha Salvador. Afinal, Chapecó não é exatamente uma cidade turística. É uma cidade de pioneiros, principalmente oriundos do Rio Grande do Sul que ali se instalaram e criaram um dos mais importantes polos agropecuários do Brasil.

 

Por não saber nada ou saber muito pouco sobre os chapecoenses, eu cheguei ali aberta para ver e ouvir mais do que, como profissional, estou acostumada. E eles me encantaram.

 

Ainda no aquecimento das discussões em grupo, sondei sobre o que havia de bom na cidade.  Parecendo combinados, responderam em uníssono: “a nossa Chapecoense!” E o que poderia ser a “nossa Chapecoense” para uma soteropolitana torcedora do Vitória? Uma indústria? Uma miss? Bem, poderia ser um time também. Então, perguntei: “o time?” “Claro”, foi a resposta, “é o nosso orgulho”.

 

Hoje, diante da tragédia que se abateu sobre a equipe, me volta a mente aquele brilho no olhar que acompanhou a resposta do grupo. Fazia muito tempo que eu não via um povo que tanto se ufanasse de algo da sua terra. A Chapecoense não era apenas um time de futebol, era um elo de pertencimento de toda uma cidade, cuja população é formada principalmente de forasteiros. Ou seja, gente que forjou ali os objetos de sua devoção e aprendeu a protegê-los como obras suas.

 

Cá na minha racionalidade, eu pensava: quanto não dariam políticos e profissionais de marketing político para conquistar esse tipo de vinculação afetiva? Porque aquilo não era apenas um entusiasmo de torcedor, mas uma verdadeira avalanche afetiva. Era como se todos os chapecoenses realizassem na Chapecoense o sonho da conquista de um espaço importante na “primeira divisão” no mapa do Brasil.

 

Força de trabalho tinham, qualidade do que produziam também. Faltava o emblema que, unindo numa mesma emoção, representasse tudo isso.

 

E o fato é que a Chapecoense correspondeu à expectativa dos chapecoenses. Saindo, em poucos anos, da série D do Campeonato Brasileiro, para a disputa pelo título da Copa Sul Americana.

 

Ninguém poderia imaginar o que viria a ocorrer.

 

Tendo vivido de perto o significado desse time para seu povo, imagino, a partir da dor que sinto aqui, a dor que eles estarão sentindo lá.  

 

Karin Koshima
Diretora Executiva da Recomenda Pesquisas & Consultoria.
Analista política e de mercado.

 

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