Sob nova (des) ordem mundial: Muito além de um muro

Os EUA têm importância central no delineamento da configuração mundial, uma vez que interferem diretamente na sua estrutura (elementos componentes) e dinâmica (forma de relacionamento).

 

No contexto da globalização, a noção de soberania é posta em xeque, considerando-se que os diferentes países estão submetidos às diretrizes internacionais. Daí não ser possível ignorar o efeito Trump na (des)ordem mundial.

 

O discurso de Trump já assustava. Os primeiros dias de seu governo, a dissolução de acordos multilaterais e enaltecimento de conceitos conservadores, assustam ainda mais.

 

Que princípios estão sendo legitimados? O que fazer diante de ações que, além de impactos na ordem política-econômica, podem trazer consequências na sustentação dos Direitos Humanos?

 

Há uma inevitabilidade da função mínima do Estado, que se constrói enquanto ideologia, de forma que, para que um país esteja inserido na “aldeia global”, torna-se necessária a adoção do receituário neoliberal em conformidade com as diretrizes da universalização dos direitos. A preocupação agora é que sabemos quem está com “a licença” para ditar as regras nesta aldeia, que ecoam na direção do enaltecimento da tortura, xenofobia, misoginia, críticas à liberdade de imprensa, indícios de totalitarismo, entre outros absurdos.

 

Óbvio que os acordos entre países não têm necessariamente como princípio a promoção de igualdade. Mas é fato que, nas últimas décadas, ao menos nos discursos oficiais, situações antes percebidas como distorções causadas por desequilíbrios exclusivos da alçada dos estados nacionais (fome, o acesso desigual aos recursos naturais e às inovações tecnológicas, a degradação ambiental e as crises econômicas) passaram a ser inseridas em um quadro sistêmico, decorrentes de assimetrias da ordem internacional, portanto de responsabilidade de todos os países. Este foi um avanço importante no estabelecimento de certa ordem mundial e que já dá temerosos sinais de retrocesso.

Lembro preocupada da Doutrina do “Destino Manifesto”, que expressa a ideia de que a expansão da influência dos Estados Unidos seria o cumprimento da vontade divina. Princípio religioso convertido em ideologia política que parece estar voltando. Assusta.

Observo inquieta nos últimos dias uma corrosiva deterioração de princípios acerca da universalização dos direitos humanos. Receio muito que, quando o chefe da locomotiva mundial sustenta esse discurso, influencie outras nações e propague violações de direitos duramente negociados e conquistados em acordos multilaterais.

 

Esse momento impõe a necessidade de estarmos vigilantes e muito atentos em relação as bases estruturantes do tipo de sociedade que almejamos... E, para aqueles que creem: rezar.   

 

Karin Koshima
Diretora Executiva da Recomenda Pesquisas & Consultoria.
Analista política e de mercado.

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13/11/2016

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